O uso de protetores solares é hoje indispensável à maioria das pessoas. Não só a radiação UV, mas outras com diferentes comprimentos de onda, possuem a capacidade de causar danos à pele, desencadeando uma série de reações na derme. A radiação UV causa danos cumulativos à pele como o envelhecimento precoce, destruição das fibras de colágeno, melasmas, diminuição da resistência imunológica da pele, processos inflamatórios, lesões oculares até câncer. No entanto, não podemos negar os efeitos benéficos da radiação UVB, que promove a síntese de vitamina D em nosso organismo, evitando assim uma série de doenças. Porém a falta de proteção solar em um país ensolarado como o Brasil tornou-se assunto de saúde pública, por conta do aumento a incidência de melanomas. A camada de ozônio absorve 90% da radiação UVB e quase a totalidade da UVC, mas não absorve a UVA, que por possuir um comprimento de onda maior, penetra mais profundamente na pele, o que pode causar queimaduras, câncer, e alterar o sistema imunológico. A eficácia de um filtro solar é medida de acordo com a característica de cada pele, pois depende de quantos minutos uma pele exposta ao sol demora para ficar avermelhada. Se pele demora em média 20 minutos para avermelhar, usando um FPS15 por exemplo, poderá se expor 15 vezes mais, sem que a pele sofra danos, isto é, o filtro protege por 5 horas. Existem no mercado os protetores físicos e os químicos. Os físicos são aqueles que agem como uma barreira física impedindo a passagem da radiação, não carecem de agentes químicos, são menos propensos a alergias e irritações, e são indicados para crianças e gestantes. Os químicos são capazes de absorver radiação UV e dissipá-la em radiações menos energéticas. Apesar dos filtros solares serem úteis, seu uso indiscriminado pode trazer sérios problemas. Um dos fatores é seu uso em excesso, pois a pele precisa ficar exposta em hora adequada do dia para que ocorra a síntese de vitamina D, e um filtro solar com FPS 30 reduz a síntese dela em 95%. Cerca de 90% de toda a vitamina D necessária ao nosso organismo é formada na pele através da radiação UVB. O melhor horário para exposição é entre as 11h e as 14h, por mais incrível que possa parecer, neste horário o índice de raios UVB chegam com maior intensidade. Os raios UVA por sua vez são maléficos, e são constantes durante todo o dia. Uma maneira inteligente de aproveitar os raios UVB é ficar exposto ao sol durante 10 – 15 min, 2 a 3x por semana, para só depois aplicar o filtro solar (se você possui pele clara, 8 min são suficientes), assim muitas doenças podem ser evitadas, pois nosso DNA apresenta 2.776 pontos de ligação com receptores para a vitamina D, portanto, todas as células de nosso corpo possuem receptores para esta vitamina, e mais, a produção da vitamina D vai diminuindo com a idade, o que significa que pessoas mais idosas devem tomar mais sol.Outro fator são os ingredientes usados nas formulações. Pesquisadores da Universidade de Riverside, Califórnia, em 2006, confirmaram a alta toxicidade dos filtros químicos contidos em protetores solares. Um estudo realizado pela USP em 2004, demonstrou que dentre 9 filtros, 8 apresentavam atividade estrogênica. Os efeitos causados pelo excesso de estrogênios nas mulheres levam a endometriose, cistos uterinos, dor de cabeça, aumento da TPM e alteração do ciclo menstrual. Os efeitos nos homens são diminuição na quantidade de esperma, desenvolvimento de seios, ausência de testículo, incidência de câncer testicular, tamanho do pênis menor que a média e redução das características do comportamento masculino no cérebro fetal. Alguns extratos de plantas e seus princípios ativos podem apresentar ação antissolar pois absorvem na faixa do UV, e são alternativas menos prejudiciais à pele e ao meio ambiente. Óleos vegetais ricos em ômega 6 e láuricos protegem a pele contra a radiação. Estudos sugerem que alguns óleos e extratos de plantas possuem FPS de acordo com o grau de absorbância na região do UBV e com proteção UVA, como mostra a tabela abaixo: Ainda é necessário que estudos in vivo sejam realizados para confirmação dos resultados, mas já podemos vislumbrar algumas alternativas promissoras para cuidar de nossa saúde e obtermos mais qualidade de vida. RECEITA DE PROTETOR SOLAR NATURAL FÍSICO IDEAL PARA CRIANÇAS Óxido de zinco 50g + Óleo de babaçu ou coco 60ml + Óleo de jojoba 20 gotas + Óleo de amêndoas 60ml Óleo de lavanda 35 gotas + Óleo de lemongrass 3 gotas + Óleo de hortelã-pimenta 5 gotas. Misture tudo até obter uma pasta homogênea. RENDIMENTO: 150g Texto: Giseli Fernantes Química e pesquisadora de óleos essenciais Responsáve técnica da empresa Phytoterápica REFERÊNCIAS: 1.KAUR, CD, SARAF, S. Determinação In Vitro do Fator de Proteção Solar de Óleos Vegetais Usados em Cosméticos. Pharmacognosy Res. 2010; 2 (1): 22-5; 2. CASTRO, Luiz Cláudio Gonçalves de. O Sistema Endocrinológico Vitamina D. Arq Bras Endocrinol Metab. 2011;55/8; 3. OLIVEIRA, Giseli Fernandes de; MATOS, Romario Silva da. Avaliação in Vitro da Atividade Fotoprotetora dos Óleos Essenciais e Vegetais das Espécies Eugenia Caryophyllata, Persea Americana, Orbignya Oleifera, Extrato de Aloe Bardadensis Miller e Seiva de Croton Lechleri. Trabalho de Conclusão de curso, Centro Paula Souza, ETEC, São Paulo, 2015.